O que é um Social Business Model Canvas7 minutos de leitura

Muito se é falado sobre startups e as oportunidades de negócios através da utilização de tecnologia para a construção de produtos e serviços replicáveis e escaláveis. Mas durante um certo tempo era apenas visado o lucro gerado e não o impacto social de cada empresa ou startup que estava nascendo. Foi pensando sobre essas questões e como os negócios devem ter impacto na vida de outras pessoas, não apenas sobre seus lucros ou IR, mas no core do negócio que surgiu a criação do Social Business Model Canva.

O Business Model Canvas, foi elaborado por Alexander Osterwalder. Como definido por Cécile Petitgand após uma reunião de aceleração e incubação da Yunus Negócios Sociais,

Ele serve para identificar o problema social ou ambiental que a sua empresa pretende resolver. Isto é uma etapa imprescindível do planejamento de um negócio social; se não passar por ela, a empresa corre o risco de perder sua relevância social e falhar na sua missão principal.

Social Business Model Canvas

Social Business Model Canvas

Principais diferenças entre os modelos de canvas e o Social Business Model Canvas

O Canvas, em geral, é uma ferramenta para você poder estruturar de maneira clara e sintetizada, quais são seus parceiros-chave, atividades-chave, custos, clientes, diferenciais, proposta de valor, entre outros pontos que facilitarão a sua visualização sobre o negócio e quem sabe até mesmo pessoas mentoras e investidoras poderem analisar e dar feedbacks sobre o negócio. Startups, assim como a utilização de seus modelos inovadores de negócios, são ágeis na maioria das suas atividades, por isso que seu pitch leva no máximo cinco minutos. Ter algo visual que demonstre isso é fundamental também.

Aqui no blog a gente já falou sobre o Business Model Canvas e sobre o Lean Canvas, para você ver quais foram as adaptações em comparação com o social.

O Social Business Model Canvas traz alguns pontos bem diferentes do que talvez você esteja acostumado a ver nos outros modelos e que também geram perspectivas interessantes na hora da criação de um novo negócio. E para começar a pontuar alguns itens, vamos começar pelo:

  • Segment Beneficiary ou Beneficiário do Segmento – Quem se beneficia com a sua intervenção?

Logo no primeiro quadrante ele já traz a perspectiva não de custo-benefício ou resultado de um job to be done daquele produto/serviço, mas sim quem será impacto pela ação que o seu negócio estará realizando. Através dos seus lucros você irá beneficiar crianças em escolas com novos computadores, você levara acessibilidade para cuidados ligado a saúde mental de pessoas carentes em comunidades?

Esses são pontos que você pode e deve levar em consideração na utilização do Social Business Model Canvas. Um outro ponto importante que ele traz é:

  • Impact Mensures ou Medidas de impacto – Como você mostrará que está criando impacto social?

Sobre esse tópico, o foco está direcionando as suas métricas de impacto. Você entregou X número de computadores através de ganhos na sua operação e que era uma das medidas de resultado no desenvolvimento de novas parcerias.

  • Surplus ou Excedente – Onde você planeja investir seus lucros?

Nesse tópico a gente está falando sobre onde será reinvestido os lucros para a continuidade da operação e gerando mais impacto social, que é o foco do modelo de negócios.

  • Key Partners + Stakeholders ou Parceiros-chave + partes interessadas – Quem são os grupos essenciais que você precisa envolver para entregar seu programa? Você precisa de acesso ou permissões especiais?

No Social Business Model Canvas dentro desse tópico é aglutinado os parceiros-chave junto as partes interessadas como possíveis empresas que precisam reverter seu IR em projetos sociais para ser trabalhado junto a porcentagem obrigatória da alíquota sobre ações de impacto social. Devido a esse motivo, é trazido esse ponto no Social Business Model Canvas, gerando a sinergia entre a responsabilidade social das grandes empresas, tendo essa conexão de uma possível fonte de receita para negócios de impacto.

No quadrante de proposta de valor, na terceira repartição é trazido um tópico sobre:

  • Customer Value Proposition ou Proposta de valor para o cliente – O que seus clientes desejam obter com esta iniciativa?

Você pode pensar tanto na perspectiva B2B (Business to Business) quanto na B2C (Business to Consumer) e até nas duas, B2B2C (Business to Business to Consumer), levando em consideração qual impacto os seus clientes desejam obter com essa iniciativa, podendo pensar, por exemplo, sobre quantas consultas gratuitas de um serviço psicológico são geradas através de um contrato fechado no valor de X com a empresa Y.

O valor gerado para seus clientes precisam estar extremamente bem conectados com a sua startup. Ela precisa fechar não apenas na conta, mas em todo o seu ciclo de impacto.

Cases para você se inspirar na criação de startups de impacto social

Muita gente ainda pensa que startups de impacto social não geram impacto e nem lucro, mas é aí que vocês se enganam. Existem várias startups no mercado que já deixam seu legado e para te inspirar, vou trazer duas que tenho um contato super especial, que são, Polen e Gooders, duas startups fundadas por pessoas como você que está lendo esse blog agora e que também tinham o desenho de transformar a vida das pessoas fazendo o bem.

Polen – Realize ações de impacto de forma simples, segura e transparente em uma única plataforma

O porquê do Polen é muito claro e faz com que logo de cara as empresas saibam o motivo da sua existência e o seu propósito

Nós descomplicamos a conexão entre empresas e causas sociais e tiramos projetos de impacto corporativo do papel.

Assim como sua missão que elucida a visão das empresas sobre a responsabilidade social que cada uma delas deve ter e de maneira bem simples, fazendo mais do que o necessário e impactando mais do que o esperado

Nossa missão é revolucionar o processo de consumo, transformando cada compra em uma oportunidade impacto social positivo.

O Polen foi fundada em 2014 pela Renata Chemin e pelo Fernando Ott. Para você poder se inspirar mais ainda, eu recomendo o site deles, principalmente na guia “transparência” onde eles mostram todo o impacto gerado e como fazem isso.

Gooders – Fazer o bem recompensa

Somos uma Social Tech que dá recompensas para quem é do bem e ajuda causas sociais

Acho que esse slogan já diz bastante sobre eles, não é mesmo? Falamos aqui nesse blog, sobre quais são as principais categorias de startups, para você conferir algumas outras que existem.

Imagina só, você que curte realizar trabalhos voluntários pode fazer o bem, com aquele sentimento de Give Firs e ainda poder ser recompensado por isso, ainda que não esperando nada em troca e acabar economizando nas suas compras do mês ou até de um eletrodoméstico? É assim que a Gooders faz, recompensando as pessoas que fazem o bem, de uma maneira clara, limpa e honesta.

A Gooders foi criada pelo Fábio Procópio em 2017, mas que tem início numa jornada bem interessante que começou no Web Summit, mas vou deixar essa história para um outro dia, ou quem sabe, para o próximo evento da comunidade Hackathon Academy.

Como construir sua primeira startup de impacto

Essa é aquela dica rápida para você! E aqui vão algumas dicas, na verdade, começando por esse mapa que traz uma visão de quase todo o ecossistema de impacto brasileiro. Tem também o InovAtiva de Impacto que vale super a inscrição para você desenvolver uma startup de impacto social, além de toda a visibilidade que ele te gera e faz com que você possa se conectar com empresas, podendo já ser seus primeiros clientes. E claro que eu não poderia deixar de falar sobre os Hackathons! Fica ligado e ligada aqui no Hackathon Academy que a gente sempre está falando dos hackathons que estão rolando no Brasil e no Mundo.

Let’s Hack!

Matheus Carvalho

Líder na Rio Sul Valley, Maker na ErreJota, Agente InovAtiva, Embaixador no Angel Investor Club, Community Manager no Hackathon Academy e Projects & Operations na Haze Shift